quarta-feira, 3 de outubro de 2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

Beneath the flat and paper sky



The sun, a demon's eye,



Glowed through the air, that mask of glass;



All wand'ring sounds that pass



Seemed out of tune, as if the light



Were fiddle-strings pulled tight.



The market-square with spire and bell



Clanged out the hour in Hell;



The busy chatter of the heat



Shrilled like a parakeet;



And shuddering at the noonday light



The dust lay dead and white



As powder on a mummy's face,



Or fawned with simian grace



Round booths with many a hard bright toy



And wooden brittle joy:



The cap and bells of Time the Clown



That, jangling, whistled down



Young cherubs hidden in the guise



Of every bird that flies;



And star-bright masks for youth to wear,



Lest any dream that fare



-Bright pilgrim-past our ken, should see



Hints of Reality.



Upon the sharp-set grass, shrill-green,



Tall trees like rattles lean,



And jangle sharp and dissily;



But when night falls they sign



Till Pierrot moon steals slyly in,



His face more white than sin,



Black-masked, and with cool touch lays bare



Each cherry, plum, and pear.



Then underneath the veiled eyes



Of houses, darkness lies--



Tall houses; like a hopeless prayer



They cleave the sly dumb air.



Blind are those houses, paper-thin



Old shadows hid therein,



With sly and crazy movements creep



Like marionettes, and weep.



Tall windows show Infinity;



And, hard reality,



The candles weep and pry and dance



Like lives mocked at by Chance.



The rooms are vast as Sleep within;



When once I ventured in,



Chill Silence, like a surging sea,



Slowly enveloped me.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011


O corvo hesita, antevê o momento, e observando-me cruzado, existindo enquanto torçe o crânio em ângulos inimagináveis, pensando o impensável no interior primário do seu conceito de medo, dá ar ao fosfato da ráquis - trop chic. A água atrás cintila, mas macilenta e baça, como a patine dos serviços de prata que abundam nos antiquários, ali. Apesar do animal não perceber os preços pedidos,cifras insondáveis, gosta de os ver. Escuro, num ajeitar brusco de asas, desliza pelo ar como uma escala inflamada de clarinete, e faz um M minúsculo torcendo as ossadas do esterno, em tensão directa com forças gratitacionais. À esquerda, rasga uma pena na lombada do prédio, capa de Vélin, mas que importa (?). A Boulevard caprichosa está no fim desta rua cuspida, cinza e bege, de pão e carbono.

As saudades de um mundo de cor, as saudades do cheiro frutado da vergonha nos pêssegos. Dos pássaros que não devem.
O meu coração está em Lisboa, a dedilhar a copa do Jacarandá, na tua mão.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

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a inutilidade do que é belo
" Those high white curtains which hid from the eyes the bed placed as if in the rear of a sanctuary; the scattering of light silk counterpanes, of quilts with flowers, of embroidered bedspreads, of linen pillowcases, this scattering under which it disappeared in the daytime, as an altar in the month of Mary under festoons and flowers, and which, in the evening, in order to go to bed, I would place cautiously on an armchair where they consented to spend the night; by the bed, the trinity of the glass with blue patterns, the matching sugar bowl, and the decanter (always empty, since the day after my arrival, by order of my aunt who was afraid to see it "spill"), these instruments, as it were, of the cult-almost as sacred as the precious orange blossom liqueur placed near them in a glass phial-,which I would no more have thought of profaning nor even of possibly using for myself than if they had been consecrated ciboria, but which I would examine a long time before undressing, for fear of upsetting them by a false motion; those little crocheted open-work stoles which threw on the backs of the armchair a mantel of white roses that must not have been without thorns since every time I was through reading and wanted to I noticed I remained caught in them; that glass bell on which, isolated from vulgar contacts, the clock was babbling privately for shells come from far away and for an old sentimental flower, but which was so heavy to lift that when the clock stopped, nobody but the clock-maker would have been foolhardy enough to undertake to wind it up; that very white guipure tablecloth which, thrown as an altar runner across the chest of drawers adorned with two vases, a picture of the Savior, and a twig of blessed boxwood made it resemble the Lord's Table (of which a priedieu, placed there every day, when the room war "done," finished evoking the idea), but whose frayings always catching in the chinks of the drawers stopped their movement so completely that I could never take out a handkerchief without at once knocking down the picture of the Savior, the sacred vases, the twig of blessed boxwood, and without stumbling and catching hold of the priedieu; finally, that triple layer of little bolting-cloth curtains, of large muslin curtains, and of larger dimity curtains always smiling in their often sunny hawthorn whiteness, but in reality very irritating in their awkwardness and stubbornness in playing around the parallel wooden bars and tangling in one another and getting all in the window as soon as I wanted to open or close it, -a second one being always ready if I succeeded in extricating the first to come to take its place immediately in the cracks as perfectly plugged by them as they would have been by a real hawthorn bush or by nests of swallows that might have had the fancy to settle there, so that this operation, in appearance so simple, of opening or closing my window, I never succeeded in doing without the help of someone in the house; all those things which not only could not answer any of my needs, but were even an impediment however slight, to their satisfaction, which evidently had never been placed there for someone's use, peopled my room with thoughts somehow personal, with that air of predilection, of having chosen to live there and delighting in it, which, often the trees in a clearing and the flowers on the road side or on old walls have."

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Basta pensar em sentir para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir o meu coração a chorar...
Depois de parar de andar, depois de ficar e ir, hei-de ser quem vai chegar para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir

Fernando Pessoa
(mto para lá)

terça-feira, 6 de julho de 2010

You are the drum in my heart beat, bass and guitar lead, stuck on the notes you play.
My heart that you play on, red like a crayon, i cant walk away.
Before you, my hole life was acapella

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Já me estão a cansar... parem lá com a mania de que digo muitos palavrões, caralho! Gosto de palavrões! Como gosto de palavras em geral. Acho-os indispensáveis a quem tenha necessidade de dialogar... mas dialogar com caracter! O que se não deve é aplicar um bom palavrão fora do contexto, quando bem aplicado é como uma narrativa aberta, eu pessoalmente encaro-os na perspectiva literária! Quando se usam palavrões sem ser com o sentido concreto que têm, é como se estivéssemos a desinfectá-los, a torná-los decentes, a recuperá-los para o convívio familiar. Quando um palavrão é usado literalmente, é repugnante.Dizer "Tenho uma verruga no caralho" é inadmissível. No entanto, dizer que a nova decoração adoptada para a CBR 900' 2000 não lembra ao "caralho", não mete nojo a ninguém. Cada vez que um palavrão é utilizado fora do seu contexto concreto e significado, é como se fosse reabilitado. Dar nova vida aos palavrões, libertando-os dos constrangimentos estritamente sexuais ou orgânicos que os sufocam, é simplesmente um exercício de libertação.Quando uma esferográfica não escreve num exame de Estruturas "ah a grande puta... não escreve!", desagrava-se a mulher que se prostitui.Em Portugal é muito raro usarem-se os palavrões literalmente. É saudável. Entre amigos, a exortação "Não sejas conas", significa que o parceiro pode não jogar um caralho de GT2. Nada tem a ver com o calão utilizado para "vulva", palavra horrenda, que se evita a todo o custo nas conversas diárias.Pessoalmente, gosto da expressão "É fodido..." dito com satisfação até parece que liberta a alma! Do mesmo modo, quando dizemos "Foda-se!", é raro que a entidade que nos provocou a imprecação seja passível de ser sexualmente assaltada. Por ex.: quando o Mário Transalpino "descia" os 8 andares para ir á garagem buscar a moto e verificava que se tinha esquecido de trazer as chaves... "Foda-se"!! não existe nada no vocabulário que dê tanta paz ao espirito como um tranquilo "Foda-se...!!". O léxico tem destas coisas, é erudito mas não liberta. Os palavrões supostamente menos pesados como "chiça" e "porra", escandalizam-me. São violentos.Enquanto um pai, ao não conseguir montar um avião da Lego para o filho, pode suspirar após três quartos de hora, "ai o caralho...", sem que daí venha grande mal à família, um chiça", sibilino e cheio, pode instalar o terror. Quando o mesmo pai, recém-chegado do Kit-Market ou do Aki, perde uma peça para a armação do estendal de roupa e se põe, de rabo para o ar, a perguntar "onde é que se meteu a puta da porca...?", está a dignificar tanto as putas como as porcas, como as que acumulam as duas qualidades.Se há palavras realmente repugnantes, são as decentes como "vagina", "prepúcio", "glande", "vulva" e escroto". São palavrões precisamente porque são demasiadamente ínequívocos... para dizer que uma localidade fica fora de mão, não se pode dizer que "fica na vagina da mãe" ou "no ânus de Judas". Todas as palavras eruditas soam mais porcas que as populares e dão menos jeito! Quem é que se atreve a propor expressões latinas como "fellatio" e "cunnilingus"? Tira a vontade a qualquer um! Da mesma maneira, "masturbação" é pesado e maçudo, prestando-se pouco ao diálogo, enquanto o equivalente popular "esgalhar um pessegueiro", com a ressonância inocente que tem, de um treta que se faz com o punho, é agradavelmente infantil. Os palavrões são palavras multifacetadas, muito mais prestáveis e jeitosas do que parecem. É preciso é imaginação na entoação que se lhes dá. Eu faço o que posso."

Miguel Esteves Cardoso

As If By Magic - La Roux

'Há a caminho um outro caminho, que é direito e que termina num quadrado, que percorro, mas que o não faço. Longínquo, no fundo do espaço, sobrevoo a geometria que inexiste com precisão, e dele salto, andando por completo descalço sob a calçada fria e fosforescente. Aqui sonha-se a distância do cosmos numa constatação imediata de um conceito impossível e as ideias são plumas ou leves detalhes das asas com que viajo. Sou o Ser que não fomos nunca, ou queremos, ou queriamos, ou que deveria ter desejado, ou desejo, ou não desejei jamais. Alargando o vazio entre cada ideia ramificada, há vento que limpa a copa do que vou pensando - sei que é sorte. Na recta, crente da permissão que propulsiona, ando convictamente volúvel, o que é já uma certeza, e torno-me sempre num outro quando não olho para o chão, o que me confunde imenso. Quando caminho deixa de haver um outro caminho, e é sempre o mesmo passeio ondulado que termina comigo a faze-lo e a disseminar-me num detalhe de neutrão.'
Frank Green in Diaporese

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010